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Cristina Pape: An Artist’s TrajectoryCristina PapeCristina Pape studied biology, completing an Ms.C. in Environment Education.In 1984 she moved to art and began to study Art History and Modern Art Restoration in Germany. She is now a lecturer in art at the Universidade do Estado do Rio de Janeiro, as well as a practising artist and restorer. Meu trabalho se situa entre a escultura, instalação e performance. As esculturas foram se transformando e deixaram para trás uma abordagem tradicional já que podiam ser vistas de qualquer ângulo e poderiam ocupar um espaço central onde quer que fosse mostrada. Inicialmente elas eram feitas de vidro e pedra. A origem destes trabalhos foi o meu envolvimento com meditação e os jardins tradicionais japoneses . A estas esculturas chamei de " Jardins" [Foto 1] O rigor do material dos "Jardins" me levou a uma reflexão sobre outras possibilidades plásticas e optei pela manta de borracha negra. Desenvolvi uma série de trabalhos baseados na luz de Carvaggio [Foto 2 ], em Altdoerfer [Foto 3 ], na pintura gótica e em outros períodos da História da Arte. Os títulos eram associados à sua origem, como " Barrocos " e " Anjos". No ano de 1995 viajei para Erfurt na Alemanha e quando voltei ao Brasil realizei uma exposição intitulada " Air du temps" [Foto 4] em 1996. O trabalho então apresentado remonta à minha história familiar. Minha avó paterna havia herdado o título de baronesa e me interessei em localizar a origem do título. Nosso antepassado Johannes von Boettger, um alquimista, descobriu no início do século XVIII a massa da porcelana de alta temperatura na Alemanha, coincidindo com o período do rococó na Europa, merecendo então o título de barão e como conseqüência imediata, fortunas foram economizadas com importações e foi criada a manufatura de Meissen, existente até hoje na cidade de mesmo nome. Frivolidade, exuberância de formas, valores morais muito relativos,
grandes diferenças sociais e principalmente uma grande velocidade
e superficialidade no olhar me fizeram pensar na nossa sociedade contemporânea,
que sofre dos mesmos males e benefícios, guardadas algumas proporções. Um pedaço de bolo é digerido em poucas horas e já estamos aptos a comer mais, mais e mais... Construi um universo contemporâneo-rococó cristalizado no tempo. Não é efêmero porque é feito de material não perecível e porque instiga o observador a olhar a obra detalhadamente. A sedução das formas e a organização da instalação contribuem para que o resultado seja alcançado: deter o olhar voraz contemporâneo por um tempo maior do que o que percebi habitual. " Air du temps" [Foto
5,
Foto 6,
Foto 7] são palcos onde cenas se desenvolvem. As cores são
delicadas e ao mesmo tempo pontuadas com flores vermelhas. Pérolas,
conchas e cisnes dourados estão presentes num contraste característico
do estilo. " Cuidado Palavras" foi a primeira frase perversa. Atenção porque palavras podem te ferir, mas como dizia um conhecido meu, "cuidado palavras" porque estas devem ser acalentadas. Fiz então meu primeiro livro folheado com ouro. Escrevi a frase em Braile, apliquei no livro e o expus pendurado na parede [Foto 8]. Quem é cego não pode ler porque não pode tocar e quem pode ver não pode ler porque não conhece braile. O conhecimento que está nos livros, pilares das culturas civilizadas, nem sempre pode ser desvendado.Os discos de computadores antigos contém informações que não podem mais ser lidas porque não existem mais os decodificadores. Escritas ancestrais são decifradas hoje. "In Gold we Trust" é uma frase fundamental para este trabalho que venho desenvolvendo desde 1997. A base das sociedades civilizadas está na quantidade de ouro que acumulamos. Metal precioso, estável, puro e maleável. Procurando transformar o vulgar em ouro, comecei a trabalhar com este metal e fui dourando objetos de meu cotidiano e inserindo-os no circuito da arte. Trabalho com qualquer objeto vulgar que eu encontre e que corresponda às relações que faço com meu projeto. Atualmente desenvolvo uma pesquisa sobre Camilo Castelo Branco e respondo suas cartas com ouro e texto. Suas cartas são documentos do seu cotidiano e que foram inseridas no circuito da literatura. Da mesma maneira, recolho meus objetos cotidianos e os insiro num circuito específico.Transformando o vulgar em ouro procuro destacar as pequenas passagens do cotidiano que podem passar despercebidas ás vezes: um copo quebrado ou um livro antigo. |
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